texto de Manoel de Barros

Sábado, Março 27, 2004




Essa semana estive ausente por motivos mil. Há semanas em que os pensamentos se sobrepõem à ação, de modo que viramos reféns de nós mesmos. Foi mais ou menos isso que aconteceu. Entendi que precisava - e preciso - de tempo para cuidar de mim, e para poder ser a pessoa que desejo ser perante o mundo: amiga, amante, irmã - às vezes mãe também. Para assumir tantos papéis nessa vida de Deus, preciso estar a um passo da felicidade; se ela me escapulir das mãos, tudo mais perde o sentido de ser, vira um grande cortejo de almas que se dão adeus. Vou deixar de escrever um tempo porque fazer isso já não estava me dando o prazer que me dava antes, vou me nutrir do texto da vida para crescer. E quando eu voltar, você estará a minha espera, eu sei.


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Sexta-feira, Março 26, 2004



Volto quando der...


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Terça-feira, Março 23, 2004


Pensamentos de Efigênia



Meu cabelo tá parecendo uma peruca, e quem diz outra coisa é besta. Nas ruas o povo todo me olha com cara de morcego. Eu não queria mais pensar em anão de jardim, mas virou idéia fixa desde que eu assisti àquele filme engraçado e triste em que aquela atriz se apaixonada por aquele anão. Como é mesmo o nome daquele filme? Minha filha me disse que eu sou muito burra. Ela tem vergonha que eu vá as reuniões de pais no colégio dela. Eu nem falo besteira. Eu não falo é nada. Será que é por isso? A minha filhinha é tudo na minha vida. O pai dela esbravejou e disse que já tá prevendo o dia em que ela vai partir pra cima de mim. Ele nem entende esses nervosismos de criança, aquele pai dela! É muita cobrança na cabeça de uma garota tão pequena; e eu desconfio que ela já esteja apaixonada... hihihi! Mas a pobrezinha não é correspondida. Dona Clementina deixou um bordado aqui pr'eu fazer. Tomara Deus que eu ganhe algum dinheirinho com isso. Meu cabelo tá parecendo uma peruca, oh céus! Hoje quero fazer uma comida bem especial pro almoço. Eu ando muito distraída, não sei o que é isso! Tenho um medo de um dia não saber voltar pra casa! Dá até um nó na garganta pensar que daqui uns anos viro uma velha inválida que não sabe nem cuidar de si mesma nem pode sair de casa porque senão se perde e a família nunca mais vê. Será que essas listas de achados e perdidos de gente são verdadeiras? Será que não são os filhos ingratos que mandam os velhos passearem e depois não vão mais buscá-los? Ai, que medo! Passei na padaria e aquele português ficou me olhando como se eu fosse a farinha que faltava pro pão dele, a carne do açougueiro, a mosca na sopa do freguês apaixonado... Eu até gosto desses olhares, sabe por quê? Porque aí eu me olho no espelho e me vejo com 20 anos de novo...hihihi! É, acho que minha filha tem razão. Tenho que comprar absorvente pra ela, ainda não estou acostumada com isso. E no dia em que eu tiver que deixar o namorado dela dormir aqui em casa? O pai dela me mata! Mas antes que o namorado dela venha aqui eu tenho que arrumar um cabelo decente. Se o pai dela me mata eu não posso morrer de peruca! Estou ficando é doida. A Carol engordou! E eu pensava que ela ia ser miss a vida inteira? Não entendo a vizinha do meu prédio que discute com o cachorro quando ele começa a latir, chama ele de chato e ainda o manda calar a boca. O pobre é só um cachorro! Nem entendo aquele casal de cima que vive se espancando. E a velha do 302 que bebe de tristeza? É muita gente triste nesse mundo, meu Deus. É muita gente no mundo. Dá uma agonia quando eu vejo reportagem sobre a China. Imagina dormir naqueles caixotes que eles dormem? Será que vai ter espaço pra tanta gente quando o mundo entupir? Se bem que com tanta gente morrendo de fome. Tá faltando detergente, sabão em pó e amaciante. Amanda, cê chegou? Vem dá um beijo na mamãe, vem? Ai, filha não empurra mamãe assim...


(...)


Mãe, Mãaae! Acorda! Ai, meu Deus! Socorro, alguém me ajuda aqui!


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Sábado, Março 20, 2004




Para Drummond "fotografia é o codinome da mais aguda percepção". Dito isto, ele lança sobre a alma hipóteses do ver nos quais os olhos não encerram todas as possibilidades da visão. Ver ganha, aqui, sentido mais abstrato: VI-VER. Vi, de ver. E se, para mim, tudo é uma questão de alma, se fotógrafo e fotografado constituem objeto de mais valia - estética, emocional, o lucro então será reconhecer, pelas vias do sentimento e do instinto, que ver é também inaugurar sinestesias e retinas. A fotografia, nesse sentido, espelha-se no cristal do momento refletido: vida sendo, e as lentes de uma câmara (oculta, de tanto sentimento), flagrando o mundo todo.


ps: fotolog atualizado
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Quarta-feira, Março 17, 2004


Língua de fogo

Tenho a arma de todos os dragões:
Labareda-boca
Dói-me a calma pela cicatriz.
(E nem um pássaro empedrado doeria tanto)
As águas
Cicatrizam-me
Histórias de abandono.
Doem-me
Também pelos cotovelos
As paixões do arvoredo.
É o bicho tristonho
Movendo as pedras
Do meu rio sem margens.
Na fumaça que trago
Recobrem-me saudades.
Respiro fundamente a superfície
De um atroz
E absorto
Nada.



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Segunda-feira, Março 15, 2004


O texto de Ágnes



Um suspiro mais agudo e os lábios da donzela quase afundam o papel.

Dedos muitos ciosos de si percorrem todo o corpo branco da folha, e a matéria perecível da mente ganha vida no seio-leite da criação.

A moça exala para fora de si, a vida-rito do papel, entremeado de pulmões e órgãos vitais. Outra sombra se despede, e um pouco mais acima, à esquerda do pensamento, a letra A descobre-se gérmen de toda a história. Muito cheia de curvas, a primeira letra do mundo pulsa e bombeia o texto de Agnes.

Por dentro das coisas o ar lambe-se e se despe. Renovada, a palavra nua persegue o paraíso. Esvai-se de poder. O coração-vogal da moça se oferenda e Deus preenche, límpida, a tinta dos tempos sagrados.

Arrancada de um desvio, o sentido das linhas faz perder o verso. Chove e faz muitas outras sílabas loucas. Estrelas e polissílabas se amontoam nos porões da inspiração. Dentre sacras e profanas, vêem negros zarparem dores.

Latente, a parede mesma do papel desloca-se e sangra. Um sangue terra que veste e alimenta o ventre ruivo da criança que escreve. Agnes compõe seus versos e com eles dá luz às sereias tenras da sensação.

Venta forte a história no papel. Toda noite composta se dissolve na morada da moça, dentre plebeus, tigres dente de Sabre, e palavras que, enamoradas de si, reinventam sentidos sonoros.

Ecos de um fragmento de corpo, de uma linha. O papel-bicho reinventa o homem, que reinventa o bicho, que reinventa a mulher...

Agnes acarinha o papel e toca no mundo. Dos seios da moça florescem o sonho, e seres do sono. Formas etéreas singram até seus pés, nos cachos de uva, verbetes, decassílabos...

Toda a sorte de anjos e de estranhos demônios emerge do corpo-folha do papel, invade o quarto-mundo de Agnes, estrela, escrita, intimidades de si.

Sobre os próprios pés, chora a pequena, temerosa de si e de seus reinos mágicos...


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Quarta-feira, Março 10, 2004


Guilherme



"Todo homem tem uma mulher no coração; tenho duas: Filha e Paixão..."

Pai

* * *

"Se 'certas canções são eternas' como quis supor a canção sem nome em minha (des)memória, certos poemas também o são. E não falo dos clássicos, do que se ouviu em toda a casa. Não os grandes nomes da literatura mundial. É outra a eternidade que batiza meu credo e me faz história. Outro o poema do momento, guardado em papéis-de-sonho, dentre guardanapos, poeira e cristais. Falo do que pertence à história de minha (des)constituída família ...os versos do meu pai..."

Filha

* * *

"... nascemos juntos/porque nos queríamos/geramos essa expectativa/pra colorir o futuro..."

Pai

* * *

"Lê-los depois de tanto tempo de ausência física e emocional, estando por hora, embaçados no que sobrou da poeira de lembranças, é retroceder numa evolução descontínua rumo a qualquer lugar. Trazer de volta o que se sonhou na travessia da morte e da esperança..."

Filha

* * *

"... sempre te entendi/há um sonho/em cada fagulha do seu olhar/há um medo/não custa nada descortinar..."

Pai

* * *

"Não conheci o homem que seria meu pai. Não jantei com ele. Não ri de suas manias desiguais... Não brigamos por nossas diferenças. Não nos desviamos. Também não foi possível chorar apoiada em seus ombros (tampouco fomos dormir embalados na proteção que só um pai sabe dar).Quando trovejou, não corri pra sua cama. Não fomos juntos ao cinema, nem comemoramos, abraçados, o Natal. Não gritamos. Não nos aturdimos. Não cantamos a "Ave Maria de Gonot" num domingo de sol..."

Filha

* * *

"... posso até revolver/essa vontade de cirandar/O tempo ajuda a ver/o que importa é gostar"

Pai

* * *

"O homem que chamei - pai - aos cinco anos e que depois teimei em não transformar em anjo, é um vulto da existência real. Lampejo apagado da infância, entre uma lembrança mais acesa e um sorriso bom. O Guilherme que vim a conhecer nasceu bem depois de sua morte. Veio com seus versos, seus veios profundos, rabiscos da trajetória de uma homem que quase não conheci, mas que passei a admirar!"




Filha

Saudades, sempre!


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Terça-feira, Março 09, 2004


a história do broto em carta para ritinha,


ah, ritinha, com que dor te escrevo. dói tanto a vida, a semente furando o chão, até formar árvore. em que fase estou, minha amiga? já fui semente, meus primeiros caules cresceram, mas as plantas têm a vantagem de, desde cedo, saberem cuidar de sua própria sobrevivência. desde nenês, alimentam-se por conta própria, pela caridade, é claro, dos nutrientes do solo, pela claridade mesma que faz com que ponhamos óculos escuros sobre os olhos para nos protegermos. mas eu, minha querida, ainda não faço fotossíntese, eu dependo, quase inválida, do alimento que me dão. o alimento tem de me ser dado na boca. meus sonhos? nada pode alterar a rota de seus rumos, tampouco quebrá-los, retorcê-los como se retorcem pescoços de galinhas. ninguém pode remexer o castelo encantado das fantasias de princesa, porque senão a menina se joga da torre, achando-se mais infeliz que os outros. tola! falo da terra que eu sou, sulcada, cheia dos sofrimentos dela, árida ainda, tentando dar ao broto sua qualidade de vegetal; e todo vegetal sabe ser auto-suficiente. sofri um terrível, abalo, ritinha! saquearam meu ego. não sou só eu neste mundo! o ser que me ama caiu em modesta tentação, sentiu carinho por outra plantinha, tão plantinha quanto, uma linda plantinha a quem eu devoto um grande coração de irmã. um carinho diferente e sem nome, mas carinho. carinho a que chamou: atração e carência. o ser que amo, muito menos eu que ele a mim, porque sou pequenina ainda, tem raízes mais profundas dos que as minhas, é muito mais sábio e, para meu ciúme, é agregador, chama a fauna e a flora toda pra si. ocorreu desse brotinho vir se aconchegar nesse amor meu que nem planta é; é um ecossistema inteiro. é tanto, que plantinhas menores como ela e eu vêm pedir-lhe que nos dê de beber, alimente-nos, que proteja nossos castelos arruinados de princesas na iminência de uma torre. dói muito mais porque senti raiva de uma irmãzinha que eu amo, e raiva maior ainda da minha natureza-mãe, meu ecossistema, que provê a nós duas. exigi dela mais que exigiram de Cristo! a raiva passou, mas a dor não. cresci um bocadinho porque toda dor é um sol encomendado e as lágrimas que vertemos afundam na terra com nutrientes para a raiz. mas um sonho se desfez, o de achar que eu era a planta mais querida da mãe-natureza, crer que ela, em todo seu esplendor, jamais enxergaria graciosidade em outros pequenos seres da mata que não eu. tola de novo! vou contando isso pra você e a dor vai passando, de mansinho. lembro-me de que toda beleza deve ser contemplada, é para isso que existe: para fazer massagem em nossos olhos cansados. o amor, para alegrar o coração. descobri que sou capaz de me alimentar sozinha, e que amo aquela mãe-terra muito mais do que eu pensava! não são pequenos deslizes que nos farão cair; será a falta de coragem. ficarei atenta! aprendi também: o que é nosso ninguém tira, se realmente for nosso. o mesmo vale para ela. por enquanto sou plantinha, mas se um dia, eu já árvore de frondosa copa, acenar para algum pássaro encantador, e ele me propor fuga, pode ser que eu fuja com ele (mas acho difícil, sabia? gosto tanto do meu canto! tem braços largos o rio que me corta e margens inimaginadas!). meu ego tá ferido porque é muito egocêntrico, mas um dia ele vai rir muito disso tudo. então, borboleta ritinha, eu vou crescer tanto que um dia te alcanço no céu, tá?


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Segunda-feira, Março 08, 2004




Hoje é o dia Internacional da Mulher. A Antropóloga de Botas é minha personagem mulher. Hoje ela se despede de mim...

No cabeza marginal



Domingo, Março 07, 2004


Ortópteros onívoros



Odeio baratas, eu confesso, sob juízo, ou tortura. Nada é mais torturante que vê-las se arriscando até mim, seus vôos de traças - traça não voa - mas é um vôo de traça, sim. Definitivamente.

Outra característica infame que elas têm: a divindade. São os seres mais fiéis da criação; seguem, com a maior das fidelidades, os preceitos divinos do "crescei-vos e multiplicai-vos".

E as danadas são resistentes, uns bichos resistentes que elas são! Tão resistentes que, com elas, não têm tempo ruim. Se acena o sol, com um lindo e ofuscante dia; ou se algum líder extremista-doido solta uma bomba nuclear que dizime a vida no planeta, quem sobreviverá? Acertou quem respondeu: barata.

Odeio a fidelidade delas, a probidade com que se apegam à vida. Mas, no fundo, são como eu: torturantemente vivas, presas por entre as veias do destino.

Odeio ter de botar veneno delas, dedetizá-las. Aniquilá-las por algum tempo para, daí a pouco, retornarem ainda mais soberanas, vivas, mais nojentamente cascudas. É frustrante vê-las voltar à vida, embora compensador, saber-se livre do assassínio que sobre meus ombros pairava.

Dona Barata, eu vos afirmo: não há, sob hipótese alguma, tratado de paz entre nós. Seremos sempre, inimigas, sempre! Lamento dizer isso mas é melhor mesmo que fiquemos, cada qual no seu canto, defendendo a parte que nos cabe nesse latifúndio - toda a vida. Assim é melhor.

Ou sou eu quem me protejo da vida, evitando-as? Afinal, são uns bichos de Deus, do meu Deus Cristão. Francisco de Assis certamente não as repudiaria, e eu o amo tanto! Mas nem a minha paixão por Assis retrai meu ódio.

Resguardo-me de uma paixão/compulsão incontrolável de devorá-las, como fez G.H., para saber-me, no ímo do nojo, a ancestralidade que povoa toda entidade viva desse planeta, na raiz da vida, aonde bicho se faz bicho, e gente, gente.

Será preciso comer a barata para que eu confirme a tese de que sou inferior a elas, nos quesitos fundamentais da vida: crescer, multiplicar, RESISTIR?

Não resisto à vida sem que ela não resista à mim: somos medrosos; amantes, porém.

Certos códigos fundamentais se cumprem, sou bicho humano, civilizado demais e é natural que eu me enoje com a barata. Mas meu instinto mais primitivo, na ira do seu repúdio, sente-se infinitamente atraído pela vida que pulsa nelas - nas baratas. Acredito que, no fundo, meu nojo, imiscui-se ao nojo delas.

Nós, humanos (???), construímos castelos, erguemos impérios, civilizações, deflagramos ódio uns contra os outros em nome da religião, da ciência, do dinheiro, e do amor. Nossos defeitos mais repugnantes nos destroçam, dia após dia, aparta esse amor raro e divino com que Deus nos maculou. Contudo, eu garanto aos céticos de plantão: não é só isso, o amor é muito mais do que eu possa narrar, vislumbrar ou sentir.

Baratas não amam. Se amam, amam-se num amor de barata, que não é o nosso amor. Amam um amor que a pretensão e/ou a curiosidade humanas jamais conseguirão entender.

Somos amantes de um mesmo homem, eu e a barata. Barata é feminina, mesmo no masculino, está, portanto no páreo. Somos amantes desse Deus de calças e de saias. Tão fantástico esse Deus!

Deus, gênese, criação. Entidade cósmica que pariu a todos nós: eu, a barata, o mendigo. Pariu-nos como se fôssemos garças, ou peixes, não sei. Mas nos pariu em alto mar, ainda me lembro vagamente a rota do vôo da garça que eu era, tão livre!

Como um navio sem almirante, como renascentistas obcecados com a perfeição das formas, como um... filhote de barata. Eu nunca vi, confesso. Mas somos todos convidados de um mesmo banquete divino - que eu preferia barroco, ah! as orgias.... É preciso me controlar.

Como dizia, somos convidados de honra de um mesmo banquete, de uma forma ou de outra unimo-nos em nossas semelhanças e dessemelhanças. Somos fios da mesma teia, fêmeas de um mesmo Homem - até os homens.

Por mais que esse Deus bígamo, trígamos; mais, muito mais... a natureza inteira, cada joaninha, cada bicho de pé é sua amante! Por mais que esse bondoso Ser nos proveja em seu amor universal e teoricamente não tenhamos do que reclamar, seremos sempre rivais. Não há como escapar: todo amor pede exclusividade a si. E não me venham falar de amor livre não!

A existência está aí, toda incontrolada, reproduzindo-se mais que barata ou coelho.

Eu jamais serei tua amiga, Dona Barata, por mais que eu te ame, porque te odeio também. Nem sob caridade, porque amamos o mesmo Homem e entre nós cairá sempre o jugo de Deus.

Barata humana que sou, resistindo, toda retorcida em meu ódio-amor, corpo nojento d'onde pairam aflições sagradas.

Limpe minhas chagas, Dona barata! E vós captareis de mim o mesmo nojo que vos nutro com vossas sensíveis antenas.

Elas - as baratas, que não têm sua parcela de humanidade - e sim de barata, convivem há tanto tempo conosco, embora sejam habitantes bem mais antigas que nós, que talvez tenham nos decifrado os hábitos e as vergonhas. Não concebo que, com tamanho tempo de convivência não temos, umas com as outras, aprendido uma única lição. Talvez um dia, uma tribo primitiva qualquer, que com elas conviva em paz, possa ensinar-me o ritual dessa convivência.

Mas por enquanto, não! Se ao menos pudéssemos viver em harmonia, cada qual em seu canto! As teimosas, porém, ainda dão sinal de si, enquanto deviam se alojar em seus pardieiros de baratas, e nós, em nossos pardieiros humanos. Seria tão mais simples.(?)

Desconfio, porém, que essa relação de ódio jamais se encerrará. Enquanto viverem suas vidas de baratas, e nós, vidas baratas de humanos, um ou outro ortóptero onívoro (leia-se: barata), muito curioso, tanto ou mais que nós, invadirão nossas cozinhas, rastejarão em nossos banheiros, mesmo sob a ameaça da morte, tão iminente, apenas para exigir o quinhão da humanidade amistosa que lhe sempre negamos.


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Conto Pirandelliano, do Gilberto Dimenstein no jornal da beta




Sexta-feira, Março 05, 2004


Vivo...



...ao mesmo tempo cozinho em fogo brando
o tempero das minhas delícias...
sempre desmoronando sabores sobre os outros...
é da minha natureza.


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Não percam no jornal da beta: Mariana Conde Moraes Arcuri, estudante do oitavo período de Jornalismo da UFRJ, e sua descrição bastante indiscreta de um de seus professores: José Argolo (e seus causos memoráveis em sala de aula). Vale a pena conferir. É cômico!

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No site cabeza marginal, a História da Antropóloga de Botas está na sua quarta parte (isso terá fim?); está sendo publicada todos os dias, em capítulos.


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Novidades fotolog, cujas fotos também são publicadas diariamente


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Quinta-feira, Março 04, 2004


Secretas Frutas



Ela e sua Outra
Confrontam-se no espelho
Embaçado mercado
da Esquina
Sacolas à mão
Vestindo histórias
de bananas podres
maduras pêras
Roxo furta-cor
de Uva
à boca pequena dizem:
'nessas tardes claras
de cristos e de nuvens
Anjos passam anel
mordem maçãs
e brincam de Deus'
Vai ver por isso
Ela e a Outra riam tanto
Sabendo, do espelho
Os segredos e as frutas
mais suculentas



PS Explicativo de Poema: no mercado: uma moça se olha no espelho: frutas cristalizam na sacola: abrem-se as portas da imaginação: ela vê anjos e até deus de asas: e ri, sabendo-se tola, com um segredo: eis o poema.

E poema se explica?


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EM TEMPO: Não entendo por que o haloscan, depois de uns oito posts, simplesmente muda a indicação de número de comentários que, de 40 e tantos, passa pra dois e, por fim, zera. Se repararem bem, todos os textos mais antigos têm zero comentários (os do haloscan). Mas, se você clicar sobre esse mesmo zero comentário, lê quarenta!! Isso é incrível Ê, entidade contradtória e rabugenta esse Sr. Haloscan! Queria ser mágico, mas não obteve sucesso. Vai ver, é isso.


NÃO COMENTE ESSE POST, FAZ MELHOR SE SEGUIR COM A LEITURA DO TEXTO ABAIXO... =)



Quarta-feira, Março 03, 2004


Na noite passada



Ela não só arrancou a soleira da porta, pelou a tinta violada de tristeza demolida: ela estuprou meu coração.

A porta estava trancada porque assim desejara a princesa - telefonar para seu príncipe, seu anjo andaluz.

Eu descobri que a loucura pode ser mais feia, que alegremente efusiva; pode ser raiva, solidão, triste(za).

Violar um aposento é estuprar os sonhos que moram nele.

Trancada está a porta, não vês? Não me arranques da terra nua de meus degredos sentimentais. Tranquei a porta para que o príncipe entrasse, como em todo conto de fada, todo sonho de amor. Viria ele munir-me da ignorância aborrecida. Para isso usei chave, maçaneta e amor.

Eu não sei dizer que feição tem o ódio: eu não vi. Vi os estágios do após dele: a porta tombada pelo fogo demolidor.

Arrombaram a porta do meu quarto porque havia um telefone, objeto-abjeto que não deveria estar ali porque era ponte e canal por onde viria o príncipe me salvar.

A fúria alheia devorou a minha. Não sorri, não odiei. Foi pena, de tudo, de todos. Dos sonhos embalados na lembrança tranqüila de um luau em família.

Loucura é contagiosa, não sabia? Aprendi bem a lição nos olhos alvoroçados dela, no seu medo raivoso, no estupro do aposento e na raiva secular de ter sido mãe, somente mãe, por toda uma vida.

Um faz-tudo desses que conserta máquinas de lavar, instala aquecedores, refaz a maquiagem descarnada das paredes virgens de um quatro arrombado, talvez ponha no lugar tudo o que ruiu. Pinte as paredes, reerga o que caiu e refaça o aspecto bom que porta de quarto geralmente tem.

Entretanto, minha alma jamais se esquecerá que loucura, dor e preocupação materna arrombam portas e derrubam soleiras.

Não fique triste, meu pobre leitor, não lamente as lágrimas da violência, têm momentos que o mal é o maior bem que se tem, e violência, às vezes, só significar amor.

Mas, por favor, não leve mais o telefone para o quarto!


Outros:


No site cabeza marginal, a História da Antropóloga de Botas está na sua terceira parte; está sendo publicada todos os dias, em capítulos.

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No jornal da beta o tema ainda é: JORNALISMO E NOVAS TECNOLOGIAS DA COMUNICAÇÃO.


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E no fotolog, as fotos ainda em destaque são: Baratox: personagem horrenda criada em laboratório; e meu priminho de segundo grau, recém-nascido, Rafael.


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Terça-feira, Março 02, 2004


Hoje


No site cabeza marginal, recomecei a reescrever a história da Antropóloga de Botas, desta vez haverá um desfecho. Será publicada todos os dias, em capítulos.

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No jornal da beta o tema de hoje é: JORNALISMO E NOVAS TECNOLOGIAS DA COMUNICAÇÃO.


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E no fotolog, as fotos em destaque são: Baratox: personagem horrenda criada em laboratório; e meu priminho de segundo grau, recém-nascido, Rafael: eis verdadeiramente a nova edição de A Bela e a Fera, ou melhor, nesse caso, a fera primeiro.


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Segunda-feira, Março 01, 2004


AS GALINHAS VOADORAS



Havia numa vila muito humilde, uma mulher que se impacientava com... galinhas. Isso mesmo, galinhas!

"São umas histéricas!" - afirmava a velha, que as monitorava dia e noite, como se referisse a achaques femininos em tempos de Freud: "E há nelas qualquer coisa de sobrenatural", salientava.

Ninguém sabia ao certo o que pensar daquela senhora, tampouco de suas galinhas, que povoavam a vila toda com mais ovos por metro quadrado do que gente.

Sabiam-na estranha, de uma estranheza pouco comum para os anormais da sua época. Não era cocha, incapacitada mental, tampouco intelectual refugiada pelo machismo desmoralizante ou pelos subterfúgios da vida no campo.

Era mulher da lida. Não sabia nem de mais, nem de menos. A vida inteira lidou com lavoura, terra, minhoca, flor, bicho de plantação, joaninha... galinhas.

"Talvez uns sessenta anos ou mais", presumiam-lhe a idade. Vez ou outra, arriscavam palpites uns sobre os outros, para quebrantar a monotonia.

"Esse negócio de vitrola não chegou aqui ainda não, moço. Muito menos é coisa que vá consumir a gente. Nossa vontade é outra. A vantagem do silêncio é a estrela a mais que vemos no céu, o pensamento avantajado, e os mistérios; por aqui tem muito mistério, moço", era o que falavam quando aparecia um forasteiro.

Da velha e de suas galinhas voadoras, ninguém definia um modo único, ou mesmo um modo consistente de pensar sobre elas. Era como se fossem eternas forasteiras, ela e as galinhas, embora os mais antigos jurassem conhecer a velha - já velha, desde crianças; e os pais de seus pais diziam a mesma coisa.

"Eu vi uma sombra atrás dela hoje, e não era galinha", segredava o padeiro.

Era o peso de seus pensamentos, de uma sabedoria de chão, de barro, de fundo dele. Cavucava a terra e sabia direitinho o paradeiro da minhoca. Vivia de si mesma, e de suas galinhas voadoras. Ela, que detestava galinhas, como mesmo brandia aos quatro ventos chamando-as de histéricas, era a única que lhes dava de comer.

Por mais inimigas que fossem, jamais deixaria que duelassem sem eqüidade de condições: "Uma questão de ética", explicava-se. E lembrava Voltaire com uns dizeres pra lá de eruditos: "Posso não concordar com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo".

Só que galinha não diz, nem aquelas que pareciam mágicas. Galinha bota ovo. E aos montes, porque tem de zelar por sua natureza ovípara.

Se ao menos fossem galinhas convencionais! Mas as galinhas daquele povoado eram imensas, inúmeras, inexplicáveis. Eram umas galinhas sorumbáticas, umas galinhas soturnas, e tinham olhos de encanto, ah, isso tinham!

Como se fossem capazes de revelar um segredo cabeludo, desses que nem sequer chegam a ser segredos; que são, no máximo, suspeitas, lapsos de memória e de corações desmemoriados. Lapsos da moral torpe das redondezas que condenava um filho efeminado, um pai bêbado, uma mãe puta.

Verdades mascaradas por um medo cristão, por um medo de galinha que elas revelavam com seus ovos sobre os telhados dos escolhidos. Segredos que as pessoas escondiam como se fosse um mau-cheiro, uma praga da plantação, um tiro de morte dado no escuro, um surdo assassinato, com medo que alguma delas pudessem lhes apontar um ovo certeiro.

Era isso. Havia o segredo, havia um segredo de morte em cada galináceo que rondava a vila. Andavam soltas pelos caminhos de terra, formando esquinas, entre uma casa e outra; eram cachorros vadios de uma vila pobre e sem cachorros. E não me deixem esquecer de dizer que seus ovos eram sagrados.

Por mais que abundassem em telhados, varandas, lances de escadas, portas de casebres, debaixo do tapete, atrás de uma cortina, no berço de uma criança.... jamais deveriam ser usados para qualquer refeição.

E a presença deles prenunciava um terrível malogro. Daí a pouco o recém nascido em cujo berço se encontrou o ovo, era o anjo adormecido em seu caixão branco, afundado dentro da terra, como um Moisés bebê a ser salvo do rio da Morte.

Mas houve uma vez - quando morreu outra criança, em que o povo se arrastou pelas asperezas e areais da revolta, e expulsou as galinhas da vila. Queimou todas quanto pôde, enforcou a velha, a bruxa que era quem as paria, segundo eles, levando embora o mau presságio que elas simbolizavam.

Passaram-se meses tranqüilos, sem sombras e sem galinhas. Não se viam mais ovos, nem mortes de rebentos. Não fosse o inverno que virou verão e o verão invernal, as mãos embranquecidas de um mulato muito bondoso que ali vivia, e o fato de todas as crianças ficarem totalmente carecas, inclusive as meninas, tudo teria significado aconchego e paz por trinta ou mais anos.

Eis que as mãos embranquecidas do mulato reavivaram sua cor, as meninas puseram-se de novo defronte ao espelho, vaidosas, quase sem crer, com o crescimento súbito de suas madeixas, agora longas, sedosas, dia a dia mais vastas e negras.

A plantação seguia seu ritmo. Não houve mais pragas, a população tinha o suficiente pra comer, e até dava-se ao luxo de vender as sobras pro povoado vizinho. Alguns alfaiates se instalaram por lá e, pouco a pouco, a viela virou vila, que virou cidade.

Muitos anos depois, quando a cidade vivia seus dias de glória, agora tão rica a ponto de exibir um prefeito (um prefeito, como não?), alguém de fora - talvez o próprio prefeito, quis pôr fim ao mito antigo das galinhas voadoras, que os impediam de comprar, vender, ou mesmo criar tais espécimes. Do alto escalão, foi expedida a ordem de trazerem algumas poucas para criar, vender, quem sabe negociar.

"É só em caráter experimental!", tranqüilizava o prefeito do povoado, com vagas assertivas aos habitantes mais antigos, que ainda se recordavam com temor da funesta presença daquelas galinhas durantes anos e anos de suas existências.

"Aproveitaremos tudo. Criaremos as galinhas; com os ovos, faremos bolos, acho que nessa terra nunca ninguém fez um bolo, acreditam? Comeremos frango e tudo quanto puder ser aproveitado delas, aproveitaremos", incentivavam os entusiastas da idéia, em geral, os mais jovens.

A população mais ambiciosa, aceitou de pronto a inovação - aceitariam sempre qualquer inovação. Seus pescoços eram válvulas mecânicas do sim, movimentam-se pra frente e pra trás, as mãos aplaudiam, e eram tudo o que sabiam fazer.

Não mais contemplavam estrelas, "não tinham tempo para essas besteiras de velhos sonhadores", recusavam-se a ouvir os ritos, as lendas, e não tardariam para que colocassem os velhos em asilos, que se não existia ainda, criariam em breve.

À revelia do medo que sentiam, foram, os velhos, banidos do direito de opinar. As crianças de trinta anos atrás, sabiam da ameaça que representava o retorno das galinhas voadoras, mas ainda assim, apostavam numa certa insensatez adolescente, que não tiveram por conta dos cabelos que lhe caíram muito cedo e lhes envelheceram a face.

"E se algumas delas, se algumas dessas galinhas, entre elas houver uma descendente das voadoras? E se o bruxedo não tiver morrido com a morte da velha parideira de galinhas e perigos?".

Muitos questionaram se, de fato, haviam procedido corretamente quando enforcaram aquela velha, arremedo de duende, no centro da vila velha, a postos de todos os ódios que sentiam por si mesmos e por suas medíocres existências.

"Enforquem a parideira da morte!", urrava o pai de mais uma criança acometida. "Enforquem-na que a histérica é ela, a bruxa que corrompeu os animais de Deus, e transformou essas galinhas em agouros do azar!".

Assim foi feito. E a vila se calou por trinta anos. Cabelos de crianças caíram nos rios: do medo, da carne podre de vivos, mortos e espectros do manto branco de uma casca apodrecida de ovo cru. Verões invernaram, mãos negras embranqueceram e tudo mais virou lembrança quando o mal se arrefeceu.

Agora voltara a sombra. E não era como antes. Não havia mais galinha passeando como cachorro vadio pelas ruas, por ora asfaltadas.

Assim que chegavam, as novas galinhas eram postas num cubículo onde só saíam para serem abatidas, ou para lhes retirarem os ovos já chocados. Cientistas principiantes davam-lhes vacinas, estranhas rações, controlavam-lhes o peso, e se investiam de toda e qualquer espécie de proteção que pudesse conter a ameaça iminente que a presença das mesmas um dia representara.

Dois meses depois, a população toda calvejara. Uma onda de pequenos desastres atracou na região, como um barco louco da má sorte. Crianças despencadas dos muros, crânios abertos, bicicletas retorcidas em meio a pernas laceradas. O mar virou sertão, que virou mar. Ciclone era brisa porque o resto era furacão. Havia um ódio que trovejava apocalipses prenunciando um segundo dilúvio divino.

E choveu, choveu como nunca antes. Primeiro, ovos. Muitos, de todos os tamanhos. Choveram tantos ovos, que a cidade amareleceu. Virou uma gema bruta de sangue e calamidades. E depois choveu de novo, as águas da renovação.

Os que conseguiram se salvar, repetiram-me a história uma única vez, e nunca mais se falou sobre assunto, até onde soube, pelo menos. Jamais retornaram à vila, embora, sem que soubessem, estivessem, suas vidas, para sempre interligadas às vidas daquelas galinhas, que se espalharam por toda parte, para além do povoado do qual surgiram.

Por uma questão de sobrevivência, talvez, os remanescentes daquela geração inteira de carecas, expulsos de suas terras prometidas, aprenderam a engolir o ego e respeitar, em coexistência, galinhas, vôos e também seus ovos. As voadoras, por sua vez, souberam manter sua disfarçada ausência, desde que seja mantida a devida distância.

Hoje, a vila faz parte de um fosso de onde deságuam as águas cristalinas de um mundo imperfeito. A população ribeirinha bebe, lava suas roupas, e usa. Usa a água. E acredita em magia. Cientistas não querem saber do assunto.


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agora também escrevo para o cabeza marginal -- egoísmo coletivo, tem coisa nova por lá, confiram!

para quem quiser conferir alguns poemas meus, uma boa opção é visitar o garganta da serpente, excelente site de literatura.



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